Como OpenStack pode pegar a onda de adoção de Cloud na América do Sul.

Nessa entrevista à Fundação OpenStack, o Embaixador do OpenStack no Brasil, Marcelo Dieder fala sobre o crescimento da plataforma no Brasil e as oportunidades criadas no mercado de trabalho.

Qual o debate mais importante sobre OpenStack na sua região?

Marcelo Dieder: Na América do Sul, OpenStack está sendo discutido em muitas companhias e segundo a onda de crescimento de migração de ambientes locais para nuvens públicas e privadas. A situação econômica desfavorável que está afetando alguns países da América do Sul traz à tona a discussão para redução de custos e por isso muitas empresas estão analisando o OpenStack como uma solução para melhor utilização de recursos, interoperabilidade com muitos fabricantes e rapidez na entrega de serviços. A discussão é muito forte em conhecer o processo de migração de soluções proprietárias e ambientes locais em nuvens utilizando OpenStack.

O uso do OpenStack na América do Sul (especialmente no Brasil) é pequeno quando comparado com América do Norte e Ásia. Entretanto, a comunidade brasileira cresceu mais de 100% em 2015. Esse foi o ano que mais usuários entraram no nosso grupo e também mais empresas começaram a utilizar OpenStack para suportar o modelo de negócio em cloud. Eu acredito que os próximos 2 anos (2016 e 2017) será o melhor ano para o OpenStack na América do Sul.

Qual a chave para fechar a lacuna de talentos na comunidade OpenStack?

Marcelo Dieder: A lacuna de profissionais qualificados é global e acontece em muitas áreas do TI – não apenas na comunidade OpenStack. Nós podemos ver vagas de trabalho por meses onde as empresas não conseguem encontrar o profissional certo. Eu vejo o OpenStack como uma grande oportunidade para profissionais de TI ingressarem em um novo mercado onde o conhecimento heterogêneo sobre várias tecnologias é muito importante. É claro que maiores centros econômicos na América Latina como São Paulo/Brasil e Buenos Aires/Argentina atraem mais profissionais que trabalham com OpenStack.

O trabalho realizado pelos grupos de usuários, mesmo longe dos grandes centros, é de grande importância para atrair novos profissionais e manter esses profissionais atualizados com notícias sobre OpenStack.

Em 2015 no Brasil nós organizamos pelo menos um Hangout online todo o mês e nós sempre temos um crescimento de profissionais querendo aprender mais sobre o projeto.

Talvez não exista nenhuma bala de prata para esta lacuna , mas certamente a solução está em apoiar os grupos de usuários de todas as regiões do mundo – trabalho realizado por todos os líderes de grupos de usuários OpenStack , pela Fundação e por embaixadores.

Que tendências você tem visto nos grupos de usuários de sua região? E como isso pode ser comparado com as tendências globais do OpenStack Summit?

Marcelo Dieder: Empresas na América Latina estão ainda um pouco atrasadas quando comparado com empresas de outros continentes como Europa, Asia e América do Norte. Muitas empresas por aqui estão ainda em um processo de prova de conceitos com OpenStack – algumas já com OpenStack em produção. Ao mesmo tempo há a vantagem de um grande mercado a ser explorado.

Há um grande interesse nas empresas por novas tecnologias como redes definidas por software (SDN), containers (Docker e Kubernetes) e serviços de storage descentralizados. Nós também vemos algumas discussões sobre o processo de fluxo de trabalho e governança de cloud para fornecer diferentes ambientes virtuais de uma forma integrada, mas respeitando o processo de validação de várias outras equipes – como as equipes de segurança.

O que impulsiona a impulsão de cloud na sua região?

Marcelo Dieder: Estudos recentes mostram que a redução de custos e a velocidade em criar novos ambientes são largamente responsáveis pelo uso de cloud nas empresas da América Latina. As empresas precisam de mais agilidade, proporcionando novos ambientes dentro de horas. Elas não podem esperar dias para um novo ambiente ficar disponível. Além disso, o investimento em data centers e o mal uso desses ambientes tem mostrado que a nuvem pode ser uma alternativa viável.

Qual é o maior obstáculo para adoção de cloud?

Marcelo Dieder: As empresas já sabem que a computação em nuvem permite muito mais agilidade e inovação, mas ainda não tem certeza se será a melhor alternativa para redução de custos. Por exemplo, empresas no Brasil preferem representantes locais que possam ajudar em projetos e suporte OpenStack, e eu penso que isso é um grande desafio para o crescimento do OpenStack aqui.

Se nós aumentarmos os eventos técnicos e de negócios e buscarmos mais empresas e representantes locais, isso vai certamente ajudar no crescimento do OpenStack nas empresas da América do Sul. Eu penso que o OpenStack também vai crescer no ritmo da estratégia de nuvem das empresas , o que é esperado em dois anos , de acordo com os principais institutos de pesquisa de mercado .

Que tipo de empresas estão mais ativas na comunidade e eventos locais, incluindo Meetups em Hangouts?

Marcelo Dieder: No Brasil, a maioria do apoio é fornecido por empresas privadas como provedores de Internet e fabricantes de hardware, universidades e algumas empresas do governo. Entretanto muito apoio na América Latina é realizado voluntariamente pela comunidade.

Quais profissionais estão na frente na comunidade da sua região para compartilhar sua história e se envolver?

Marcelo Dieder: Uma grande parte dos usuários que se destacam na nossa comunidade já estão trabalhando de forma eficaz com OpenStack. Em cada Hangout/Meetup feito no Brasil, nós convidamos um profissional com especialização em uma área do OpenStack (desenvolvedor ou operador). No Brasil nós temos um grande case – A Universidade Federal de Campina Grande que tem um grande número de profissionais que trabalham no desenvolvimento do OpenStack. Atualmente a Universidade de Campina Grande tem a maioria das contribuições gravadas por uma universidade na Stackalytics.

Traduzido por Sandro Rodrigues. Artigo original em OpenStack.org